Uma franca análise política

Em meio a tantas movimentações na Política cabofriense, devido a proximidade do julgamento do prefeito Marquinho Mendes no TSE – que pode acarretar na sua cassação e na decretação de uma eleição suplementar na cidade – as principais lideranças locais têm conversado, fazendo obscuras negociações que, salvo raríssimas exceções, em nada acrescentam ao município. Desde que o mundo é mundo sempre acontece, em épocas eleitorais, um fenômeno conhecido como “pula pula” – isto é, traições, trocas de grupo, infidelidade a partidos ou a lideranças. É a parte suja do jogo.

Todavia, ainda existem aqueles que preferem não manchar a sua honra em troca de favores ou propostas indecentes – são poucos, é verdade, mas me considero um deles. Sou o que sou, defendo o que acredito até depois do fim – mesmo que sofra com críticas e ataques preconceituosos, ou ainda que tenha meus perfis invadidos e blog hackeado, como já aconteceu no passado. Não nego para ninguém que faço parte de um grupo político sólido, que continua em pé após tantas intempéries.

O governo de Alair Corrêa sofreu com a falta de recursos – tamanha dificuldade causada pelo esvaziamento dos cofres públicos pela crise foi imputada ao então governante, que carregou sozinho uma culpa que não era sua. Uns, mais conscientes, compreenderam a situação e nos ajudaram a propagar a VERDADE, que era única: se o servidor não recebia, é porque faltava dinheiro, e não vontade, por parte da Prefeitura, de efetuar o pagamento. Outros, mais gananciosos, abandonaram o grupo de Alair para trilhar outros caminhos: se dividiram, no pleito eleitoral de 2016, entre Dr. Adriano, Janio Mendes e até Marquinho Mendes – nesse grupo incluo também vereadores, ex-vereadores e outras tantas importantes lideranças que auxiliavam o governo até então.

O fato é que o grupo de Alair encabeçou praticamente todos os palanques daquela eleição – nem preciso citar o de Dr. Paulo César, que teve todo apoio político do governo (pelos bastidores). Faltou mesmo o apoio do grupo que compunha o governo. Pouquíssimos quiseram apoiar o doutor. Hoje posso falar com mais franqueza que, apesar das nossas tentativas de fazer a campanha crescer e o nome do Dr. Paulo César emplacar nas ruas, faltou organização por parte da coordenação da campanha. Ficou difícil manter a união, principalmente após ataques diretos do doutor ao grupo que mais lutou pela sua vitória, que foi o grupo de Alair Corrêa – ele teve a audácia de chamar o grupo de “gandula” da sua campanha. Cheguei a me afastar por um tempo, mas após intercessões de alguns aliados do Dr. Paulo César, retomei a caminhada – um pouco menos animado e consciente de que era um projeto fadado ao fracasso, mas fui.

Não é que eu não goste do Dr. Paulo César ou que eu ache que ele não esteja preparado para ser prefeito de Cabo Frio, ao contrário – foi um deputado federal atuante, trouxe muitos recursos e equipamentos para os hospitais da cidade, e é um político ficha limpa, acho até que seria um bom prefeito… Contudo, lhe falta expressão política e a sagacidade presente nos demais nomes para convencer o eleitor. Por isso, apesar de nada ser descartável, é pouco provável que eu esteja em seu palanque, caso seja candidato em uma eventual eleição suplementar.

Deixo um recado ao grupo que sucederá a atual administração – independente de qual for: se mantenham unidos pelo ideal de trabalhar pela cidade. A população, já desacreditada de tantas promessas, não perdoará erros, e o próximo ocupante do Palácio Tiradentes terá uma única chance para recuperar a cidade – se errar, será jogado para fora em no máximo 4 anos. É pegar ou largar.

Felizmente a população tem se atentado para as questões importantes para a cidade, e, desta maneira, está mais atenta ao trabalho dos seus representantes. Vejo uma luz no fim do túnel: quem sabe com a pressão popular e o risco iminente de perder o poder, a classe política não comece a atuar com seriedade e transparência? Eu acredito em uma nova cidade. Eu acredito em um serviço público prestado com qualidade. Eu acredito em uma nova política.

Vamos juntos por Cabo Frio ?

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